UMA HISTÓRIA DE NÓS DOIS – Kennedy Ryan | Faro Editorial

Skyland – Livro 2

por Biia Rozante
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Caros leitores! Irei confessar desde o início, não sei como começar essa resenha, nem como irei desenrolá-la, a única coisa que já posso afirmar é que sigo COMPLETAMENTE apaixonada e rendida pelas letras da autora KENNEDY RYAN. O segundo livro da trilogia Shyland, UMA HISTÓRIA DE NÓS DOIS, chega com um enredo visceral sobre recomeço, sacrifício, autodescoberta, amor genuíno depois do caos e principalmente sobre amizade, família e o poder da autoconfiança. O tipo de história que emociona, desafia e permanece mesmo depois do fim, que te faz SENTIR e eu senti. E expressar toda a carga emocional, e emoções cruas e diretas… não é uma missão fácil, e talvez eu não consiga fazer jus ao livro, mas irei tentar.

Soledad é casada há quase vinte anos, e acredita viver um casamento feliz ao lado do amor da sua vida, do pai das suas três filhas, ainda que ela já perceba indícios de que algo está rachado, e que essas ranhuras vêm aumentando… o que ela não via, é que o amor, o respeito, sacrifícios e admiração não eram mútuos, talvez nunca tenham sido, e que esse relacionamento que ela julgava tão importante e especial, era na verdade alimentado por mentiras. Até que tudo explode bem diante dos seus olhos, e o colapso de toda a verdade escancarada vai para além de uma traição, de um desvio de caráter, de irresponsabilidade, vai impactar Soledad na autoconfiança, no reconhecimento sobre si. E no meio de todo caos, ainda temos Judah, o homem que ajudou a derrubar o seu castelo de cartas, mas que também emerge como um braço de socorro e compreensão.

“(…) Me sinto imunda não pelo que ele me passou, mas pelo que ele me tirou. O que ele escondeu de mim, mesmo sem eu nunca ter escondido alguma coisa dele e dando tudo de mim para a vida que prometemos construir juntos.”

UMA HISTÓRIA DE NOS DOIS, é acima de tudo um livro sobre recomeço, sobre sair dos escombros e se reconstruir, recuperar uma identidade que foi moldada pelas faltas, pelas concessões, sacrifícios e pelas desistências silenciosas. Não, é um livro para se ler correndo – ainda que seja impossível parar de ler -, ele precisa de respiros, de reflexões. A autora não romantiza a dor, você vai senti-la; crua, dolorosa, desconfortável, mas também vai reconhecer esperança, consolo… aquele lembrete poderoso de que existe um DEPOIS.

Um dos pontos altos para mim, é o desenvolvimento dos personagens. Soledad é uma mulher preta, mãe de três filhas, que sempre colocou seu lar, e sua família acima de tudo, a alegria deles era a sua, suas escolhas, seus horários, seus dias, eram sempre moldados para “caber” nesta rotina e com isso inconscientemente acabava engavetando, deixando para depois suas próprias vontades, necessidades, sua vida… E já vamos deixar bem claro, que não existe problema nenhum em se viver para a família, se dedicar ao lar, o problema está no se anular por completo, em detrimento do outro, precisa do equilíbrio, e isso não existia na vida da Soledad. Tanto que, quando tudo vem à tona, Soledad precisa encarar a si mesma, ela precisa se voltar para dentro de si, e pela primeira vez se enxergar por completo, e é aí que ela passa a compreender cada ausência. Ela é forte, é determinada, é capaz, mas vai precisar aprender a voltar a confiar em si mesma, na sua capacidade, na sua força como mulher, como provedora, como alguém independente. Outro ponto importante, é que Soledad não vê seu sucesso, seu recomeço no encontrar um outro amor/homem, mas sim, quando ela entende que pode viver longe das amarras do passado, e passa a se reconhecer como inteira, aí sim, seu coração se abre para algo novo e legítimo.

E preciso mencionar Judah… Se tivéssemos um conto de fadas, ele seria minha escolha de príncipe. Pai de gêmeos autistas, um homem que encara suas responsabilidades, com determinação, muita consciência, não porque busque admiração, ser o herói, e sim porque ele sabe, compreende que criar seus filhos, também é sua missão. Principalmente porque vivemos em um mundo que pouco acolhe a neurodivergência. Seu afeto, o cuidado persistente, a atenção aos detalhes, vai nos conquistando a cada capítulo, por ser algo raro e precioso, uma verdadeira exceção… é um homem que consegue não ser egoísta, ele olha para a família, ele quer ocupar sua posição, e faz isto com maestria – só estou solteira, porque nunca encontrei um deste na minha vida.

“— Você leva jeito para isso de transformar coisas ruins em algo maravilhoso.”

Kennedy Ryan, é uma autora brilhante, sensível, vulnerável. Suas letras são carregadas de emoções, de sentimentos que arrepiam, de palavras carregadas de significado. Eu amo sua coragem, sua ousadia, a maneira como ela aborda temas dolorosos, densos… com elegância, sabedoria, verdade e acima de tudo, carinho e respeito. Em UMA HISTÓRIA DE NÓS DOIS, o autismo é retratado sem floreios, porque mostra a realidade nua e crua, de dias arrastados, difíceis, que necessitam de ajustes e compreensão, amor. A maternidade, é retratada de maneira tão honesta que chega a ser incomoda… o esgotamento emocional, a exaustão de quem tem que dar conta de tudo o tempo todo, o amor incondicional, a força de alguém que é capaz de se doar por inteiro, mesmo estando em pedaços.

E aí vocês me perguntam, e o romance? O romance aqui é um bônus, apesar de ele estar sempre à espreita, ele é um doce complemento, e a beleza está justamente nisto. Soledad precisa se reconectar com ela, se reconhecer, aprender a se amar, a viver só, em sua própria companhia, é um caminho de redescoberta, de tempo, de curar as feridas, de se preparar para o novo sem carregar as feridas ainda sangrando do passado. E Judah é o tão paciente, ele respeita os limites, entende o tempo, não busca soluções fáceis, não apressa… e o que ele e Soledad vão construindo se fortalece nessa busca por conexão sincera, no respeito, na admiração, na amizade que nasce antes do amor, no apoio. É lindo, é gradual, é natural, é especial.

Irei fazer ainda uma menção honrosa as MARAVILHOSAS, Yasmen e Hendrix, melhores amigas de Soledad, que reforçam o quanto ter uma base de apoio, amigos sinceros, tornam a nossa vida melhor e mais fácil. Como é especial ter com quem compartilhar dores, cansaços, lutas e claro, sorrisos e vitórias.

“Suas palavras são tão cruas quanto a urgência em sua voz. A verdade nua e crua dele espelha a minha como um fragmento de vidro, cortando inibições e reservas. Passa pela minha determinação. Já faz muito tempo que um homem não olha para mim do jeito que Judah olha, com interesse ardente. Com tanta determinação e intensidade…”

Acho que já falei muito. Irei concluir dizendo que caso não tenha ficado claro, eu AMEI, FAVORITEI e RECOMENDO FORTEMENTE não somente este livro, mas a trilogia… leia o primeiro livro ANTES DE ME LIBERTAR DE VOCÊ, e depois leia este e já fique ansiosa aguardando o terceiro junto comigo.

Se você busca por uma leitura adulta, com personagens maduros, que estão sim esgotados, forjados nas perdas e nas escolhas difíceis que fizeram, que fala sobre a dificuldade de lidar com os escombros, do poder e a dor de recomeçar, eis aqui a leitura perfeita para você. Slow Burn, com drama, que te convida a escutar, a acolher, e a incentivar o verdadeiro ato revolucionário que é se reconstruir.

UMA HISTÓRIA DE NÓS DOIS – Kennedy Ryan

Sinopse: UMA NARRATIVA SOBRE A AUTOCONFIANÇA E A JORNADA DE DESCOBERTA DE UMA MULHER. A vida de Soledad Barnes é meticulosamente organizada. Isso se deve ao seu hábito de planejar tudo. Casada com Edward e mãe de três filhas, ela nunca enfrentou uma situação que não conseguisse contornar ou uma tarefa que não estivesse disposta a liderar. Ela é a mulher que possui todas as respostas a qualquer hora. Entretanto, nenhum de seus diversos talentos foi capaz de protegê-la quando uma catástrofe inimaginável aconteceu, fazendo com que a vida que ela construiu com tanto esforço ao lado do homem que amava desaparecesse em meio a uma densa nuvem de delitos, traição e desilusão. Nesse momento de incertezas e busca pela recuperação, Soledad não tem espaço na vida para arrependimentos. Sua prioridade é garantir um lar para as filhas e driblar as responsabilidades do cotidiano. E, durante o processo de autodescoberta, ela se reencontra. Da essência do que foi deixado para trás, pode surgir algo ousado e inovador. Para testar seu desenvolvimento, surge Judah Cross ― o homem responsável por desmascarar Edward ―, que é um excelente pai solo e trabalhador. Contudo, depois de tantas experiências de perdas, será que ela pode voltar a confiar em outro homem? Será que ela pode confiar em si mesma e abrir espaço novamente?

Ficha técnica:

Drama Familiar, Slow Burn | Kennedy Ryan | Skyland – Livro 2 | Faro Editorial | 1ª Edição | 2025 | 320 páginas | Tradução: Adriana Krainski | Classificação indicativa: 18+ | Cortesia | Minha avaliação: 5/5 | Onde encontrar: AMAZONSKOOB

Até a próxima! Bye.

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