Caros, leitores! Com certeza já posso chegar aqui sem fingir costume quando se trata de Mariana Zapata, até porque já conversamos sobre seis livros da autora e todos eles me conquistaram de alguma forma. E a Muralha de Winnipeg e Eu, não foi exceção, este é aquele tipo raro de leitura que ao longo das páginas cria uma sensação aconchegante de espera… e não estou falando de falta de ação, ou de um desenrolar morno, e sim de uma construção lenta, profunda e carregada de sentimentos e verdades, muitas vezes ocultas pelos silêncios. Este romance não grita, ele sussurra, se materializa milímetro a milímetro, com foco nos microgestos, rotina e confiança.
Vanessa Mazur é assistente pessoal do astro de futebol americano – o gigante, disciplinado, quase monossilábico… e péssimo em reconhecer o esforço alheio, Aiden Graves. E ela está exausta da vida que vem levando, trabalhar com Aiden vem roubando sua energia e a deixando cada vez mais longe do seu grande objetivo que é trabalhar para si mesma, ter o seu próprio negócio de design gráfico, principalmente porque ela não é uma pessoa com grandes ambições, ela só quer viver bem. E Aiden não se ajuda, o homem trabalha com ela há anos, e nem se preocupa em dizer bom dia. Tomada a decisão ela se demite, e como já era esperando o grandão não manifesta contrariedade, nem qualquer emoção. Agora, imaginem a sua surpresa, quando passado alguns dias, batendo em sua porta está justamente este mesmo grandão, a muralha de Winnipeg, com uma proposta audaciosa, insistindo não por um dia, dois, ou três, e sim vários, até torná-la tentadora demais para ser recusada: um casamento por conveniência.
“O que ninguém diz é que a estrada para os nossos objetivos não é uma reta; parece mais um labirinto de milho. Você para, prossegue, volta e pega uns caminhos errados ao longo do percurso, mas o importante é se lembrar de que há uma saída. Em algum lugar.”
Obviamente que o acordo é puramente uma transação comercial, terá cláusulas bem especificas, pagamento e um cronograma. Não têm como dar errado… ou pelo menos esse era o pensamento inicial. O que não estava no contrato é que a convivência, o dia a dia, como eu disse no comecinho desta resenha, os pequenos microgestos, os silêncios que gritam, fossem oferecer uma intimidade gostosa em coexistir, ao ponto de que aos pouquinhos a vontade por mais do que realmente estava em contrato se torne uma realidade.

Sério, por não existir uma palavra melhor terei que dizer que sou sim, uma CADELINHA quando o assunto é Mariana Zapata. Não resisto a seus enredos, a sua narrativa, eu amo o slow burn, a construção lenta, detalhada, paciente do romance, e claro, os personagens que são muito bem desenvolvidos. Vanessa, é uma jovem que trabalha duro, com um passado cheio de traumas, que aprendeu a sobreviver sendo comprometida e discreta. Seu humor é ácido, direto, sua entrega é generosa, e o mais importante, ela não aceita o estigma de ser a esposa do ídolo, seu foco mesmo após o “casamento”, ainda é estabelecer limites, focar em sua carreira e independência. Já o Aiden… este é um personagem muito único, ele tem particularidades que fogem completamente do arquétipo atleta celebridade; brutalmente honesto, focadíssimo em se manter em alto rendimento, ele é silencioso, quase que impenetrável e até irritante em sua falta de expressão. Porém, se você se manter aberto, irá encontrar uma versão dele que é dedicada a poucos, com um coração leal, honesto, e uma ternura que se revela não em palavras, mas em gestos.
O romance entre Vanessa e Aiden não é feito de faíscas ou explosões instantâneas, é algo que começa realmente na convivência forçada, construído na rotina; refeições, treinos, caronas, corridas, pequenas gentilezas, conversas curtas, troca de olhares, silêncios compartilhados, o entendimento do outro. Não é apenas paixão, quando ele explode realmente, vem carregado de cumplicidade, de um amor construído com paciência e muita verdade. Ambos vão amadurecer, principalmente o Aiden que passa a reconhecer o valor da presença das pessoas na sua vida, que entende a necessidade de saber agradecer, já Vanessa aprende o seu próprio valor, a exigir, a impor. E vê-los desabrocharem e se unirem, é lindo.
“— É, você está certa. Posso arranjar tempo. — Aiden lambeu os lábios e me prendeu com um breve olhar que me fez congelar uma vez mais. Foi a expressão mais doce e reveladora que já foi dirigida a mim. — Estou começando a entender que a gente sempre consegue arranjar tempo para o que importa.”
Irei aproveitar para fazer duas menções honrosas; ao Zac que mora na casa do Aiden, e se torna o amigo da Vanessa, ele é o contraponto, leve, cômico, e é muito gratificante ver a amizade entre um homem e uma mulher sem nenhum interesse físico, apenas por identificação e por gostarem de estarem um na companhia do outro (Preciso deixar registrado que ele é o Big Texas, e que sim, Zapata fez um livro onde ele é o protagonista e você já pode comprar o seu AQUI – Hands Down). E Diana, que sou suspeita para falar dela, pois é a protagonista do livro ESPERE POR MIM – RESENHA AQUI, que é o meu favorito da autora. Essa mulher é sensacional, ela e Vanessa são melhores amigas.

Enfim… espero ter feito jus ao livro, ao tanto que me diverti, e me emocionei lendo. Eu amei. Zapata tece um poder gigante sobre mim, ela sempre consegue me prender, me encantar, viciar e fazer devorar os seus livros, mesmo que eles sejam longos – E deixo registrado, que AMO o fato deles serem longos -, porque é isso, ela escreve sem pressa, com método, apostando que no final tudo vai valer a pena, e sempre vale. Se você ama história aconchegantes, com rotina, simplicidade, e as vezes até improváveis, se joga na leitura.
A MURALHA E WINNIPEG E EU – Mariana Zapata
Sinopse: Vanessa Mazur sabe que está fazendo a coisa certa. Não deveria se sentir mal por pedir demissão. Trabalhar como assistente/governanta/fada madrinha do melhor ponta defensivo da Organização Nacional de Futebol Americano sempre foi algo temporário. Ela tinha planos, e nenhum deles incluía lavar cuecas extragrandes por mais tempo do que o necessário. Mas, quando Aiden Graves aparece à sua porta querendo que ela volte, Vanessa fica completamente chocada. Por dois anos, o homem conhecido como a Muralha de Winnipeg não se deu ao trabalho de lhe desejar bom dia ou lhe dar os parabéns no seu aniversário. Agora? Agora ele estava pedindo o impensável. O que se diz para um homem que está acostumado a conseguir tudo o que quer?
Ficha técnica:
Romance, Slow Burn | Mariana Zapata | Editora Charme | 1ª Edição | 536 páginas | 2021 | Tradução: Wélida Muniz | Classificação Indicativa: 18+ | Cortesia | Minha avaliação: 5/5 | Onde encontrar: AMAZON | LOJA CHARME | SKOOB.
Até a próxima! Bye.

