Caros, leitores! Fui pega desprevenida. Não existe outra maneira de começar essa resenha se não dizendo exatamente isto; fui pega desprevenida por um livro que julguei pela capa e por seu título. Achei que encontraria algo leve, despretensioso, fofinho, suave e até “bobinho”, e como é prazeroso dizer que estava TOTALMENTE errada. GAROTA ASSOMBRA GAROTO, consegue misturar com maestria o sobrenatural, com um amor impossível e entregar uma história encantadora, que prende, EMOCIONA e surpreende, abordando temas como luto, música, a dificuldade de seguir em frente quando se está quebrado em muitos pedaços, a força da amizade e segundas chances. Tudo isso envolto em um enredo que é como um abraço.
Cole é um jovem de dezessete anos, enfrentando o luto pela morte do pai, e a mudança de cidade com a mãe, saindo da movimentada Nova York, para a pacata Spectral Valley, Nova Jersey. Carregado de dor e apatia, ele tem buscado por um recomeço, por se reencontrar, até se reconectar com o mundo que no momento parece tão errado e vazio. O que Cole não esperava, é que essa mudança ainda que indesejada inicialmente, mudaria sua vida. A começar por uma presença sobrenatural ocupando o seu quarto. O impossível se materializa bem diante dos seus olhos, o que parecia ser apenas uma alucinação, um acontecimento saído direto de um filme de terror, na verdade se revela a chave de virada, uma amizade forjada por dores compartilhadas, músicas trocadas e o mais puro primeiro amor. Só que como se pode imaginar… nem tudo é para sempre e a decisão deste futuro pode ser devastadora.
“O mundo não precisa fazer sentido. Ele só precisa continuar girando enquanto a gente aprende a caminhar nele.”
Eu gostaria de sugerir uma caixinha de lenços, sério que leitura LINDA. Ainda estou buscando as palavras certas para descrever o quanto eu fui impactada, Cole é muito jovem, perdeu o pai com quem compartilhava o amor pela música, e a quem ele tinha como um grande herói, essa perda afetou profundamente seu lar, e ele e sua mãe não conseguem conversar sobre esse luto, sobre as memórias, e até sobre como se sentem neste novo momento de suas vidas. A maneira como ele tem vivido é quase que no automático, não conseguindo se aproximar de ninguém, mantendo uma barreira com as pessoas a sua volta, isolado e carregado de lágrimas não derramadas, tudo muda quando Bea se materializa na sua frente, a jovem de dezessete anos que morreu nos anos 1920. Assustador? Talvez apenas a ideia de poder ver um fantasma, só que Bea não é um fantasma qualquer.

Bea é espirituosa, inteligente, com um senso de humor afiado e uma tristeza que paira como névoa. Presa por uma maldição, ela vive entre o mundo dos vivos e dos mortos, esperando por algo – ou alguém – que a ajude a descobrir o que aconteceu com ela, e como quebrar isso. A química entre Bea e Cole não é instantânea, existe todo um estranhamento, medo e até receio – o que convenhamos, é totalmente compreensivo -, mas quando ultrapassada essa barreira uma amizade passa a crescer delicadamente, construída como uma linda melodia, que vai ganhando harmonia aos poucos. O que evolui, e se torna um amor que desafia as leis da vida e da morte, que vai precisar enfrentar um dilema; se a maldição for quebrada o que vai acontecer com Bea, ela poderá finalmente descansar? E se isso acontecer Cole irá perde-la para sempre também?
“(…) A verdadeira tristeza é chegar ao fim da vida, olhar para trás e perceber que não sentimos falta de nada. Porque nunca fizemos nada nem conhecemos ninguém de quem valesse a pena sentir saudades.”
Este livro conversou tanto comigo, ele me pegou em lugares que eu não imaginei acessar ao longo da leitura, mas que foram revirados, e isso com certeza foi um dos fatores que me levou a favoritar essa leitura. O autor possui uma narrativa tão sensível, envolvente, simples, mas que toca, capaz de realmente fazer sentir quem está do outro lado das páginas. Falar do luto, e de como ele devasta, se manifesta nas pessoas sempre é um ponto de questionamento, porque ele realmente é diferente em cada um, e eu achei que o autor abordou a temática com sabedoria, a saudade, a dor, a ausência, os e ses… o próprio amor, como ele pode ser improvável ao mesmo tempo em que é uma ferramenta de superação. É um enredo que tem momentos de leveza, diálogos espirituosos, afinal de contas temos adolescentes como protagonistas, mas também é cheio de profundidade, de emoções, de sentimentos, de medos e entendimento; amar não é tomar posse, é deixar ir… é libertar.

Irei fazer algumas menções honrosas, primeiro a mãe do Cole, mesmo ela não sendo uma figura muito explorada no enredo, sua presença é reconfortante, é real e palpável, de uma mãe enfrentando o caos e precisando encontrar forças para continuar. Outra menção vai para toda a ambientação, a casa antiga, os rangidos, a cidadezinha, as próprias roupas da Bea, tudo coopera para criar uma ponte entre os tempos.
“Ninguém vive para sempre, ninguém sabe por que estamos aqui ou por que existe um universo. Mas todos nós temos um tempo determinado e podemos decidir como passá-lo. E quando eu era viva, tentava passar todas as minhas horas de forma inteligente e generosa, fazendo as coisas que eu amava… o lema da Bea Viva era: não importa o que você faça, desde que seja algo que faça seu eu futuro sorrir em seu leito de morte”
Deixo aqui minha FORTE RECOMENDAÇÃO, leia… é mais que uma história jovem, mais que um amor sobrenatural, é acima de tudo sobre aprender que a deixar ir… ressignificar a dor, e sobre como amizades, ou melhor, as conexões verdadeiras que fazemos, podem atravessar as barreiras do impossível e inimaginável. Você vai concluir a leitura com um nó na garganta, mas acredite, não vai ser de tristeza, e sim de gratidão por ter vivido essa história e ter entendido a verdadeira mensagem – até podemos estar quebrados, mas somos capazes de nos tornamos inteiros novamente, mesmo com todas as cicatrizes.
Uma curiosidade é que o livro foi adaptado pela Netflix e existe um filme sobre ele, mas que infelizmente ainda não está disponível no Brasil. Confesso que estou muito ansiosa para ver.
GAROTA ASSOMBRA GAROTO – Cesar Vitale
Sinopse: UM VÍNCULO IMPROVÁVEL E PROFUNDO QUE ATRAVESSA DÉCADAS. Após a morte do pai, Cole e sua mãe se mudam de Nova York para uma pacata cidadezinha em busca de um recomeço. Ao chegarem à nova casa, percebem que algumas coisas sinistras começam a acontecer: de repente, uma corda de violão soa, um quadro despenca sem motivo aparente e outros ruídos inquietantes revelam que não estão sozinhos. Movido pela curiosidade, Cole descobre uma caixa contendo um anel verde cintilante. Ao tocá-lo, ele imediatamente consegue ver o espírito com quem divide a casa: Beatrix Jenkins, uma garota divertida e aventureira que faleceu cem anos atrás e, desde então, tem aterrorizado todos os que já habitaram o lugar. Quando Cole usa o anel, ele consegue ver Bea, e os dois se tornam amigos rapidamente, unidos pelo amor à música. No entanto, à medida que os sentimentos entre Cole e Bea se intensificam, Cole descobre uma maneira de desfazer a maldição ― o que significaria que o espírito de Bea poderia finalmente seguir em frente. Diante de uma escolha impossível, Cole precisa decidir se está disposto a abrir mão da garota que ama, para sempre!
Ficha técnica:
Romance Jovem, sobrenatural | Cesar Vitale | Faro Editorial | 2025 | 1ª Edição | 192 páginas | Tradução: Sandra Martha Dolinsky | Classificação indicativa: 12+ | Cortesia | Minha avaliação: 5/5 ❤️| Onde encontrar: AMAZON – SKOOB
Até a próxima! Bye.

