Caros, leitores! A alegria, o prazer e o carinho que tenho ao ler e falar de Charlie Donlea, não dá para descrever. E o mais satisfatório é que acredito que sempre será assim, porque existe uma magia em suas letras, a narrativa é envolvente, cativante, é surpreendente e eu nunca me canso de ler. Um presente para quem ama ler thrillers.
Em TEIA DE MENTIRAS, temos Donlea reproduzindo sua melhor versão, minucioso, afiado, criando tensão, expectativa, mesclando lugares e pessoas e os colidindo em algum momento, entrelaçando traumas, segredos e ambiguidades morais que desafia nossa opinião, mas que prendem nossa atenção do começo ao fim.
Um caso não solucionado ressurge exatamente dez anos após o desaparecimento da jovem atleta promissora Callie Jones, arrastando Ethan Hall, antes um lendário detetive, agora médico, de volta ao passado que lutou para enterrar. Atendendo ao último pedido de um velho amigo e ex-parceiro à beira da morte, que passou a vida atormentado por esse enigma que nunca conseguiu solucionar, Ethan é convocado a reassumir a investigação graças à sua reputação de enxergar o que ninguém mais vê e de manter uma taxa impecável de casos resolvidos. O que deveria ser apenas um último favor rapidamente se transforma em um jogo perigoso de gato e rato, ameaçando destruir tudo o que Ethan construiu desde então.
“(…)Curiosamente, o caso de Callie Jones e seu retorno relutante à dic não eram as maiores perturbações em sua vida. Essa honra pertencia a Francis Bernard — o homem que matara seu pai — e à ideia de que Ethan estava prestes a ficar frente a frente com ele.”
Uma das coisas que mais amo na escrita do Charlie Donlea, é a maneira como os seus personagens são construídos, eles são acima de tudo humanos, o que gera identificação imediata, são pessoas que erram, que sangram, que sentem ódio, esperança, buscam por justiça e vingança, o que acaba nos envolvendo na trama e nos carregando junto com eles a cada capítulo. Ethan, é exatamente assim, um homem que mudou de profissão, que foi um detetive aclamado, uma figura importante no meio policial, e que tem se dedicado a medicina, a salvar vidas enquanto ainda se pode… Ele não quer a capa de herói, nem carregar o estigma de ser perfeito, muito pelo contrário, ele carrega marcas das escolhas difíceis, da exaustão emocional e um passado doloroso que segue o assombrando. Ele tenta se proteger, mas acaba sempre sendo tragado de volta para o meio do caos e do trauma.
Temos ainda Mark Jones, agora governador, com poder/influência o suficiente para conseguir reabrir o caso de sua filha, Callie Jones, uma jovem atleta, com um futuro promissor que simplesmente desaparece do mais absoluto nada, sem que fique nenhum rastro. Poderia ela ainda estar viva?
E então chega Francis Bernard, o antagonista, o vilão, o culpado? Ele nos perturba não pelo que ele faz, com sim como ele faz. Bernard é um criminoso, que está preso, é calculista, frio, persuasivo. Ele manipula com tranquilidade, sem se afetar pelas reações externas, sem levantar a voz, sem sair da cela. E assim, sua presença pesa, mesmo quando ele não aparece. É como se tudo sobre ele fosse uma isca, uma peça de um grande quebra-cabeça. Cada revelação, uma verdade que parece útil demais para não ser duvidosa. Com toda certeza, um dos pontos altos da história, e um dos criminosos que mais gostei de odiar do autor, até aqui.
E ainda farei três menções honrosas, primeiro a Maddie, que também é uma investigadora da polícia, mas que carrega um tipo de trauma que molda a pessoa para o resto da vida. Ela é um ponto de apoio importante na vida do Ethan, e trás uma carga emocional e uma presença interessante para a trama. Segundo Blake Cordis… apenas isso. E por fim, Lindsay Larkin, melhor amiga da Callie.
“(…) Nem todos os que andam sem rumo estão perdidos, mas todos que estão perdidos certamente andam sem rumo.”
Se tem uma coisa que Donlea sabe fazer bem, é nos prender logo de cara. E TEIA DE MENTIRAS, não é diferente. Começa com capítulos curtos e aquele vai e vem entre passado e presente que deixa a gente sempre querendo o famoso, só mais uma página. O autor domina o jogo de soltar as pistas em doses homeopáticas, fazendo a gente criar mil teorias e depois jogar todas fora quando vem uma reviravolta inesperada e descobrimos que fomos enganados outra vez.
O ponto alto aqui, não é apenas descobrir quem fez, quem é o culpado, mas entender o que o caso provoca em quem insiste em persegui-lo, onde a verdade, o desfecho, pode ser ainda mais difícil que o não saber. A tensão cresce devagar, mas firme. E todos – A cidade, os amigos, a própria Callie, Ethan, Maddie e Francis… parecem de alguma forma colaborar para esse grande quebra-cabeças que parece ter mais peças do que espaço de encaixe, mostrando o quanto um crime não solucionado afetada toda uma comunidade não importa o tempo que passe.
Com um enredo afiado, envolvente, fluído e inteligente, Charlie Donlea segue sendo um mestre, sabendo explorar sua narrativa, dosar cada elemento, tornando a leitura uma verdadeira experiencia. Drama, ação, tensão… tudo mesclado e entregue com reviravoltas e revelações que irão te perturbar até a última página.
TEIA DE MENTIRAS irá te tirar da zona de conforto, mergulhando em traumas, culpa, verdades traiçoeiras e expor um lado humano que muitas vezes é difícil de ser aceito. Para quem já ama o autor, mais uma leitura prazerosa e para quem ainda não conhece, mas quer começar a ler, uma ótima opção, um thriller que brinca com nossas percepções, cheio de tensão e personagens que parecem ser reais, com uma história que poderia estar passando no jornal local ou em sua própria casa. Apenas leiam.
TEIA DE MENTIRAS
Sinopse: MISTÉRIOS ENTRELAÇADOS. UMA CONFISSÃO PERTUBADORA. UMA DESCOBERTA LETAL. Há uma década, Callie Jones, uma estrela promissora do vôlei escolar, desapareceu sem deixar rastros, mobilizando todos os habitantes da pequena cidade onde morava. O caso esfriou e todos tentaram seguir com suas vidas, mas, passados alguns anos, lamentos e rumores ainda ecoam nos cantos das ruas. Agora, Ethan Hall, ex-detetive que trocou as investigações criminais pelo pronto-socorro para fugir das tristes lembranças do passado, é arrastado de volta às sombras que jurou deixar para trás. Atormentado por memórias que nunca o abandonam, ele recebe um apelo desesperado de um velho amigo, o detetive que investigou o caso de Callie, agora à beira da morte. O pedido? Dar à família uma resposta definitiva sobre o que aconteceu com a garota. A busca de Ethan logo vira notícia, reacende velhas feridas e surge como uma fagulha de esperança. Mas todas as pistas se contradizem, e segredos do próprio passado de Ethan começam a emergir. O novo plano para essa investigação vem de uma fonte inesperada… O assassino do pai de Ethan surge com pistas. E, nesse momento, tudo se conecta em um mistério sombrio e perigoso. O que aconteceu com Callie Jones? A verdade está no centro de uma teia de mentiras, onde cada passo de Ethan ameaça desmoronar não apenas o caso, mas sua própria sanidade. Neste jogo mortal de gato e rato, desvendar o segredo pode revelar um horror muito pior do que o vazio deixado por aquele desaparecimento. UM CASO SEPULTADO NO PASSADO EMERGE COM SEGREDOS SOMBRIOS, CAPAZES DE DESTRUIR O PRESENTE EM UMA INTRINCADA TEIA DE MENTIRAS.
Ficha técnica:
Thriller | Charlie Donlea | Faro Editorial | 2025 | 320 páginas | 1ª Edição | Tradução: Carlos Szlak | Classificação indicativa: 17+ | Cortesia | Minha avaliação: 4.5/5 | Onde encontrar: AMAZON – SKOOB
Até a próxima! Bye.

